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Mensagem do Presidente da Comissão

 
 
Um Registo de Artroplastias constitui um colossal estudo prospectivo multi-cêntrico que se propõe monitorizar os implantes desde que são aplicados até serem removidos.

Representa uma poderosa ferramenta de estudo, produzindo um Nível de Evidência IIa (estudo cohort prospectivo) só superável pelos ensaios controlados aleatórios, que se limitam, porém, a pequenas séries homogéneas.

É um legado fenomenal que poderemos deixar à Ortopedia Portuguesa e que aproveitará a todas as gerações de ortopedistas que se hão-de seguir.

O momento é oportuno, a conjuntura favorável, as circunstâncias a madurecer. Resta-nos acrescentar a Vontade e o Trabalho.

Contamos convosco.

 
J. Costa Ribeiro
 



                  
Manual para o Desenvolvimento e Operacionalidade de um Registo   Manual para a Qualidade das Séries de Dados no Tratamento de Resultados

 
O Registo Português de Artroplastias (RPA) é uma base de dados com o foco da informação centrado nos implantes utilizados para repor a funcionalidade duma articulação, e destinada a monitorizar o seu desempenho ao longo dos anos.

Funciona armazenando informação sobre todas as Próteses que são implantadas: que tipo, marca, modelo e fabricante; em que doentes, com que tipo de doenças e em que condições; por qual equipa cirúrgica e com que técnica; em qual Hospital. Do mesmo modo são registadas todas as Revisões em que é necessário substituir a prótese no seu todo ou em parte (ou mesmo simples Reoperações em que se não remove qualquer componente): o que é que foi feito e/ou removido e porquê; como se encontrava o implante removido e em que condições estava a articulação donde foi removido; que tipo de intervenção foi realizada ao doente, em que condições físicas se encontrava; que novos materiais lhe foram reimplantados.

E tudo duma forma perfeitamente anónima, sem recolher qualquer elemento identificativo. Quem tratar electronicamente os dados não terá nunca a possibilidade de os relacionar com quer que seja.

Servirá fundamentalmente para identificar as próteses com melhor desempenho, e a melhor técnica cirúrgica e quais as que mais falham e porquê, constituindo quanto a este aspecto um eficaz sistema de alerta precoce.

Sendo assim o primeiro beneficiário do Registo será em primeiro lugar e acima de tudo, o próprio doente que irá ver melhorada a Qualidade do tratamento, na medida em que o cirurgião naturalmente se orientará para as próteses com evidência de melhor desempenho e para a técnica cirúrgica que provar ser mais eficaz ou adequada.

Acessoriamente porém todos poderão beneficiar.

A começar pelo próprio cirurgião que passará a dispor duma poderosa ferramenta de investigação clínica para os seus trabalhos científicos e apresentações.

Do mesmo modo os responsáveis e Directores de Serviço passarão a saber com exactidão o que faz, como faz, quem faz e quanto faz o Serviço que dirige.

Por sua vez as Administrações Hospitalares passarão a poder dispor de mais uma ferramenta de gestão, e as Autoridades de Saúde um instrumento de controlo estatístico que poderão fazer cruzar com a informação que já dispõem de outras fontes.

A própria Indústria de Dispositivos Médicos que fabrica, distribui e comercializa estes implantes ortopédicos passará a dispor de informação fidedigna sobre a sua real penetração e quota de mercado, facilitando a definição das suas estratégias comerciais.

Finalmente passaremos neste campo a aceder a “números” credíveis e deixar de ter de nos socorrer de estatísticas alheias “adaptadas” ou refugiar em estimativas mais ou menos fantasiosas: quantas Próteses da Anca se fazem por ano? e quantas Próteses do Joelho?. Qual a taxa de revisão destas próteses? E qual a taxa de luxação ou de infecção?. Qual a sua sobrevida média? .

Estas são também algumas das interrogações a que poderemos dar resposta.